quarta-feira, 10 de março de 2010

A SINDROME DO PÂNICO

A síndrome ou transtorno do pânico é um distúrbio de ansiedade no qual a pessoa tem crises súbitas e recorrentes de intenso medo e ansiedade acompanhadas de sintomas físicos que se igualam à resposta normal do corpo frente ao perigo.








A síndrome do pânico teve um aumento de incidência dramático nos últimos quinze anos. Este aumento pode ser atribuído às modificações sócio-culturais (ex. violência urbana, liberalidade sexual, etc) e à maior eficiência diagnóstica da psiquiatria.







Os sinais e sintomas de uma crise de pânico são semelhantes aos que ocorrem durante o esforço físico intenso ou numa situação de verdadeiro perigo, incluindo taquicardia (coração acelerado), formigamento nas pernas e braços, sudorese fria, apreensão e posição de alerta.







Num ataque de pânico, entretanto, estas mudanças acontecem sem que haja perigo real.







A pessoa pode ter várias crises por dia ou pode não ter nenhuma por várias semanas ou meses.







O medo constante e a premeditação quanto à próxima crise podem eventualmente levar a pessoa à agorafobia (medo de estar em lugares públicos onde seja difícil ou embaraçoso sair subitamente).







Os parentes de pacientes que têm síndrome do pânico são quatro a oito vezes mais prováveis de desenvolver a doença que as pessoas sem história familiar deste problema.







As mulheres são duas vezes mais prováveis que os homens de terem síndrome do pânico, e são aproximadamente três vezes mais prováveis de desenvolver agorafobia. Os sintomas normalmente começam ao redor dos 25 anos de idade, mas isso não é regra.







É comum o surto de pânico seguir uma situação de stress, como um divórcio, a perda do trabalho ou a morte de um parente. Por razões desconhecidas as pessoas que têm síndrome do pânico têm um risco extraordinariamente alto de desenvolver outros tipos de problemas psiquiátricos como depressão essencial (90% dos casos), distúrbios de ansiedade, desordem de personalidade ou de se tornarem dependentes químicos.







Quadro Clínico







Um ataque de pânico é definido por apresentar pelo menos quatro dos sintomas seguintes:







Dor no peito

Taquicardia e palpitações

Reflexos intensificados (hipervigilância)

Medo de ficar louco

Medo de morrer

Sensação de perda de controle, dificuldades no pensamento linear e lógico

Falta de ar

Ondas de frio ou calor

Sudorese abundante e fria

Formigamento nas mãos e nos pés

Tontura, vertigem e instabilidade,

Fraqueza, sensação de desmaios

Sensação de sufocação

Tremores

Rigidez muscular

Palidez da pele





Entre um ataque e outro, a pessoa com síndrome do pânico vive sob medo constante, prevendo que um ataque possa acontecer a qualquer momento. Ela não só teme o desconforto psicológico e físico do ataque de pânico, como também irá se preocupar que seu comportamento extremado, durante um episódio de pânico, possa envergonhá-la ou possa assustar outras pessoas.







Estas preocupações podem fazer a pessoa mudar drasticamente seu comportamento ou estilo de vida para evitar o embaraço de "perder o controle" ou "de passar-se por louca" na presença dos outros.







Diagnóstico





No início da doença, a pessoa com síndrome do pânico pode chegar a consultar um clínico geral, não sabendo definir se seus sintomas são de uma doença clínica, como um ataque do coração, um derrame ou um problema respiratório, antes de procurar o psiquiatra.







Muitas doenças clínicas podem causar sintomas que imitam ataques de pânico, tais como:







Doenças do coração,

Distúrbios hormonais,

Infecções,

Epilepsia,

Asma e bronquite,

Meningites,

Perturbações associadas a certas substâncias químicas do sangue.





Os critérios para diagnosticar um paciente como sendo portador de síndrome do pânico incluem:



Um episódio isolado de um ataque de pânico não preenche as condições necessárias para o diagnóstico da síndrome do pânico.

Os sintomas que caracterizam o ataque não devem ser gerados por uma situação ou acontecimento externo.

O ataque tem que apresentar 4 ou mais dos sintomas citados acima (principalmente medo de morrer ou de perder o controle)

Como muitos dos sintomas coincidem com o de outras doenças orgânicas e psiquiátricas é necessário uma bateria de exames para descartar ou confirmar a possibilidade da existência de uma destas doenças.
Prevenção






Não há nenhuma maneira de se prevenir a síndrome do pânico.







Ajuda a prevenir os ataques de pânico consumir menos álcool, cafeína ou outras substâncias que podem desencadear as crises. Uma vez o diagnóstico é feito, o tratamento elimina freqüentemente os ataques de pânico ou diminui a intensidade deles.





Tratamento





O tratamento dos ataques de pânico inclui várias opções de tratamento. O psiquiatra pode tentar um ou mais dos seguintes tratamentos:







Benzodiazepínicos – São remédios que trazem alívio rápido do medo intenso e da ansiedade presentes nos ataques de pânico de forma confiável. Podem levar à tolerância (deixar de funcionar porque o corpo fica acostumado com ele) e à dependência (ter dificuldade de ficar sem o remédio). A interrupção do uso deve ser gradual, pelo risco de reações de retirada. Este grupo inclui o diazepam (Valium®, Diempax®), o Alprazolam (Apraz®), o clonazepam, o lorazepam e o bromazepam.

Antidepressivos – É o principal grupo de medicamentos no tratamento da síndrome do pânico, especialmente quando os ataques persistem ou quando a pessoa tem depressão associada. Outra função importante é atuar nas recaídas. Os medicamentos que tratam os ataques de pânico incluem:

Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRS): como a Fluoxetina (Prozac ®), a Sertralina (Zoloft ®) e Paroxetina (Pondera ®), e

Antidepressivos Tricíclicos: Foram os primeiros medicamentos a serem usados. São representados pela Nortriptilina (Pamelor ®), a Clomipramina e a Imipramina (Tofranil ®).

· Terapia Cognitiva Comportamental - A terapia cognitiva comportamental consiste basicamente de três passos: psicoeducação (ajuda o paciente a conhecer seu problema), exposição interoceptiva (prática de exercícios que simulam os ataques de pânico) e exposição ao vivo (enfrentamento de situações que causam pânico ao paciente).







Os antidepressivos levam várias semanas para ter o efeito máximo (impregnar), assim, um benzodiazepínico é freqüentemente prescrito para dar alívio durante este período.







Para muitos pacientes, a abordagem mais efetiva é uma combinação de um ou mais medicamentos, somado a alguma forma de psicoterapia ou terapia cognitiva comportamental.



Qual médico procurar?





O médico que acompanha os pacientes com síndrome do pânico é o psiquiatra.







Se a pessoa tem um ataque de pânico, e nunca foi diagnosticada com tendo síndrome do pânico, ela deve procurar ajuda médica imediatamente. É bom lembrar que os sintomas de um ataque de pânico podem imitar muitas doenças clínicas ameaçadoras à vida. Por isto, um clínico geral às vezes é consultado para determinar a causa do problema.







Os ataques de pânico são tão incômodos que é provável que a pessoa esteja ansiosa para conseguir ajuda rapidamente. Quando o paciente procura o psiquiatra, ele deve fornecer tantos detalhes quanto for possível.







Prognóstico







A síndrome do pânico normalmente é um problema de longa duração. Porém, com o tratamento adequado, muitos pacientes encontram alívio duradouro de seus sintomas.







Quase quarenta por cento dos pacientes controlam os sintomas a longo prazo, enquanto outros cinqüenta por cento continuam só tendo sintomas leves que não afetam significativamente sua vida diária. Cerca de dez a vinte por cento dos pacientes não obtém melhora.







A maioria dos psiquiatras concorda que o mais importante é a manutenção do equilíbrio emocional.

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